sexta-feira, 29 de julho de 2016

Contruindo Nossas Bases sobre o Temor

Atualmente, o que mais temos visto são igrejas e pregadores usando técnicas humanas para promover ou apresentar as soluções aos problemas da humanidade e da própria igreja.     
Usam táticas e técnicas de administração, de gestão, de publicidade, enfim, e, com pouca base na Bíblia, transformam em “belas e inspiradas” conferências. Alguns ainda abusam do humor e se transformam em contadores de piada. Pior que plateias lotadas aplaudem como se aquilo fosse a pregação da Palavra de Deus.
E, o que nos parece pior, eles conseguem assim ter sucesso como os profissionais de marketing, publicidade e outras áreas afim.
Entretanto, o resultado disso tem sido desastroso, pois a igreja está perdendo sua maior fonte de vida e energia: a palavra que Deus revela ao ser humano e que, por si só, muda tudo no homem. Deus, em sua totalidade, pode se revelar ao homem por meio da Palavra e mudar tudo que existe de corrupto no ser humano.
Porque isso tem acontecido? Creio que em maior escala pela falta de conhecimento bíblico da maioria dos filhos de Deus. Há muita superficialidade hoje em dia. Mas, há um componente forte nessa situação: a falta de temor que cresce no coração dessa geração de pregadores de conteúdo humano. Eles distorcem coisas claras na Bíblia para justificar suas proposições.
Um exemplo bem nítido que gosto de citar é quando um deles diz que Maria (a irmã de Marta) era uma preguiçosa. Isso nunca foi escrito, nunca foi dito por ninguém na Bíblia e, ainda assim, para justificar suas futilidades e piadas, esse famoso pregador diz que Maria era preguiçosa (ainda esnoba disso). Ora, como chegaríamos a isso se tivéssemos temor no coração? Jamais. Ademais, no caso de Maria, Jesus mesmo disse que ela havia escolhido a melhor parte. O que acontece é que para chegar em suas próprias conclusões ou justificar temáticas humanas o “modus operandi” é incluir ou retirar algo da Bíblia. Usa-se uma ideia conceitual humana e acha-se um texto bíblico que a fundamente. Deveria ser o contrário, acharmos os fundamentos e entender como eles influem em nossas vidas. Isso é muito comum nessas pregações que vemos, tais como: “os cinco passos para um relacionamento de sucesso”, “as sete etapas para conseguir nossos objetivos”, “os cinco fundamentos de uma família feliz” etc etc etc.
Apesar disso, o processo do agir de Deus é dEle. É algo divino, é algo que homem algum conseguirá substituir com técnicas de administração, gestão, marketing, psicológicas, médicas, etc.
Em Hebreus 11.7, vemos como Deus fez na vida de Noé. “Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé”.
Vejamos. Primeiro Noé recebeu a Palavra. Ele foi divinamente avisado. Como isso aconteceu? Palavra de Deus. Neste caso, Deus se dirigiu diretamente a Noé e o avisou, o alertou. Mas para que Noé desse início ao projeto da Arca ele precisava crer naquilo que Deus o avisou. Veja, primeiro veio a Palavra, depois veio a fé para crer no Senhor. Na sequência, Noé temeu. Como isso influenciou seu comportamento? O temor foi a mola que o propulsou a fazer aquilo que Deus desejava que ele fizesse. Sem temor a Deus, você sempre será tentado a fazer o que você acha bonito e não o que Deus quer.

Tendo temido a Palavra recebida e, obviamente, crido naquela Palavra, Noé então preparou  a Arca. Pela Arca, ele mesmo condenou o mundo. O juízo de Deus para aquela geração veio pela Arca. Quando você lê o texto que trata da vida de Noé, você observa que ele construía a Arca, mas pregava ao povo, dando-lhe uma opção de salvação. É por isso que o texto em Hebreus fala que, pela Arca, condenou o mundo. A mensagem da Arca era, ao mesmo tempo, o escape, a salvação, mas era o juízo de Deus sobre aquela geração. Acabou que eles rejeitaram a Arca e somente a família de Noé se salvou. Veja quão importante é quando você está inserido na operação e agir de Deus e não em temáticas humanas. Não me interessa saber passos para a felicidade. Interessa ter a plenitude da Palavra em minha vida. Isso me faz feliz. Isso é muito mais que suficiente para transformar qualquer derrota em vitória.
Por fim, Noé se torna herdeiro da justiça. Ora, mais uma vez a própria história de Noé nos aponta o motivo dele se tornar herdeiro da justiça. Sua mensagem era a base da sentença. Aqueles que entrassem na Arca seriam salvos da ira divina. Aqueles que recusassem entrar na Arca seriam condenados. Veja que Noé foi o ponto de inflexão para o cumprimento da justiça divina. Por meio de sua vida, Deus fez justiça com a humanidade de então.
Deste modo, quando você ouve a Palavra e ela se revela ao seu coração, chega o momento que você precisa agir. Deus fala, mas você ouve. Ouvir no sentido de receber e praticar. Ouvir significa muito mais que ter a percepção que algo chega aos nossos ouvidos. Ouvir é a assimilação para CRER (você aceita para si).  No livro de Romanos, nos versos 13 e 14 do capítulo 10, Paulo afirma que sem ouvir não há como crer. Dai a real importância de ouvir o que de fato é PALAVRA. Quando nos dispusemos a ouvir uma conferência para curar relacionamento entre casais, por exemplo, em que 90% do que é ensinado são temáticas da psicologia e gestão, ou seja, nada de PALAVRA pela PALAVRA, não como já disse, versículos para justificar teorias humanas, a tendência de não acontecer nada real com os casais em apuro é muito grande. Como eles exercerão fé, se não houve divulgação da Palavra? Claro que há técnicas humanas que podem ajudar em algum ponto, mas são humanas. A melhor ajuda é a que vem do alto, é aquela que é semeada na Palavra de Deus.
Sobre o temor a Deus, aqueles que de fato creem esses passam a exercer TEMOR a Deus com verdade e sinceridade. Sem crer, não há temor ao Senhor.
Os conceitos no dicionário da língua portuguesa para temor são:Ter temor, medo ou receio de. 2. Pron. e intr. Sentir temor; assustar-se. 3. Tr. dir. Reverenciar, venerar.”
A Bíblia está cheia de exemplos para todos os sentidos, seja temer de respeito, medo de honra, seja o temer de sentir-se apavorado.
No caso de Noé, o que o levou a salvação e da sua família foi exatamente o fato dele ter tido temor. O temor o levou  a obedecer. A obediência produziu a Arca e o salvou.
“Então disse Deus a Noé: O fim de toda a carne é vindo perante a minha face; porque a terra está cheia de violência; e eis que os desfarei com a terra. Faze para ti uma arca da madeira de Gofer; farás compartimentos na arca e a betumarás por dentro e por fora com betume” Genesis 6.13 e 14

Quando Deus olhou para o homem e percebeu que o homem havia se corrompido, conforme se lê no texto, Ele teve que tomar uma decisão para restaurar o homem ao ponto que ele desejava, pois a corrupção da humanidade tornou-se tão pecaminosa que Deus não conseguia nem aceitar mais o homem. O Senhor mesmo afirma que o fim de toda carne viria perante Sua face, pois a terra estava cheia de violência. Isso representa a própria revelação da obra de Deus em Cristo Jesus. Quando Paulo mostra isso, ele nos diz que: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” Rom 3.23.
Isso é o mesmo que aquilo que ocorreu com a geração de Noé, com a diferença que não havia, ainda, um Cristo crucificado para restaurar o ser humano. Deus teve destruir a humanidade estabelecida até aquele momento e iniciar tudo de novo.
Paulo caracteriza nossa geração como sendo exatamente a geração de Noé. Observe em Romanos ainda, no mesmo capitulo 3 (de 10 a 17), onde Paulo descreve nossa geração:

Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; Cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; E não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos.

Veja que, no verso 10, Paulo repete o que foi escrito no AT, ou seja, não há um justo sequer. Além disso, o verso 15 diz que os pés daqueles que viviam na época de Paulo (nossa geração no sentido da dispensação da graça de Deus) eram ligeiros para derramar sangue e não conhecem o caminho da paz. Isso aponta para a mesma característica que Deus condenou na geração de Noé: pessoas violentas.
Do mesmo modo que Paulo conclui que o homem está separado da glória de Deus, isto é, distante de participar da divindade e de sua natureza, conclui-se que a geração de Noé estava separada da glória de Deus. Deus precisava recriar a humanidade. Não havia mais opção para o Senhor no sentido de restabelecer o padrão de relacionamento com o ser humano. Não havia meios de resolver o problema sem uma recriação da humanidade.
Para você ser restabelecido à comunhão com o Senhor, não há outro meio que não seja a sua recriação. O próprio Jesus disse isso: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” Jo 3.3.
Aquele processo de recriação da geração de Noé teria um meio muito interessante que iria dar segurança e manter viva a família de Noé: a arca de madeira que Deus mandou construir. O Senhor disse a Noé: “Faze para ti uma arca da madeira de gofer; farás compartimentos na arca e a betumarás por dentro e por fora com betume”.
Muitos comparam a história de Noé com a segunda vinda de Cristo Jesus, o que é correto. Aqueles que entraram na arca de Noé, como diz Pedro, oito almas, salvaram-se (I Pe 3.20). Aqueles que entrarem na arca hoje serão salvos. Isso é uma grande verdade.
Mas o que estou focando é a providência de Deus para Noé para recriar o homem. Deus providenciou algo que faria com que Noé, após o dilúvio, pudesse iniciar a nova humanidade, do modo como Deus tinha em mente.
Hoje, para que possamos retornar ao estado original de relacionamento com Deus, o próprio Senhor nos providenciou sua arca: Jesus, o Cordeiro de Deus.
Paulo diz que “aquele que está em Cristo é nova criatura. As coisas velhas se passaram, eis que tudo se fez novo”. II Cor 5.17. O segredo é estar em Cristo. Estar em é estar incluído nEle. Não é estar dentro de um grupo cristão, uma igreja ou coisa parecida. Só pode viver uma nova vida quem está em Cristo. Se você não consegue se livrar de coisas antigas é porque ainda não entrou em Cristo. Ainda não entrou na ARCA.
Quando Deus deu a ordem a Noé, um cuidado especial devia ser observado: o uso do betume para vedar a madeira, por dentro e por fora. O betume é um mineral de alta viscosidade, cor escura e facilmente inflamável. É semelhante ao que temos hoje chamado piche. Era usado em diversas culturas para vedar, proteger as construções, retirar qualquer tipo de infiltração, de modo que com o betume Noé e sua família estariam protegidos durante todo o tempo que ocorresse o dilúvio. Isso é interessante porque representava a segurança de Noé. Se os buracos na madeira da arca não estivessem vedados, eles poderiam morrer afundados no dilúvio.
Isso nos ensina que somente em Cristo estaremos “vedados” das infiltrações mundanas que podem nos destruir. Somente a Arca daria esperança a uma nova humanidade sem corrupção, sem violência, enfim, uma nova vida.
Somente por meio de Jesus podemos nascer de novo, podemos perder nossa natureza corrompida pelo pecado, podemos ter nova vida. Ele é nossa ARCA. Entre nessa Arca que estarás seguro a todo instante.
E, para concluir, nunca esqueça que o TEMOR é que sempre o manterá a salvo na ARCA. O temor te mantém longe da apostasia, das mentiras, das técnicas psicológicas como se fossem divinas, dos desvios, das enganações, enfim, é o temor a Deus que te permitirá chegar ao fim de sua caminhada ileso e salvo, pois te manterá sempre no caminho da verdade.
O temor vem antes da sabedoria. O temor ao Senhor é prerrogativa para que sejamos sábios quanto ao que é a Palavra, não sabedoria humana. Pessoas que se mostram arrogantes nunca dão indícios de temor a Deus, pois a sabedoria que elas pensam ter chegou antes do temor. (Prov 14.27 e Prov 15.33)
O temor nos mantém em pé. Quer passar sua vida toda inserido no projeto de Deus e sem se desviar? Exerça o temor a Deus, tenha “medo de Deus” (sim, pense que seus vacilos o condenarão, tenha medo do inferno), tenha reverência a Deus, pense sempre duas vezes antes de sair por ai se achando o descobridor de uma nova revelação. (Prov 19.23 – Sl 128 – I Pe 1.17)
As principais consequências de quem não teme a Deus (estou falando de gente na igreja, não de ímpios) são: arrogância -  apostasia – vida pecaminosa – desobediência – separação – divisões – entre outras.
A falta de temor a Deus, por fim, te levará a queda. (Judas verso 12). Cuidado.

“A tua malícia te castigará, e as tuas apostasias te repreenderão; sabe, pois, e vê, que mal e quão amargo é deixares ao SENHOR teu Deus, e não teres em ti o meu temor, diz o Senhor DEUS dos Exércitos.” (Jeremias 2.19)

Aureo R Vieira da SIlva

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