sábado, 3 de junho de 2017

Uma igreja doente que roubou minha alegria




Quando eu era menino, o que mais gostava de fazer nos cultos era prestar atenção nos corinhos que eram cantados e nas pregações do pastor, principalmente quando ele falava contra a idolatria. Quando pessoas iam a frente receber suas orações ficávamos atentos para ver se caia gente endemoniada ou se alguém fosse curado na hora da oração.

Recordo-me até hoje quando um amigo me perguntou se eu era batizado e eu lhe respondi com tanta força no pulmão que não, porque estava esperando Deus falar comigo para o batismo, já que era algo tão sério. Ele, então, olhando firme em meus olhos disse que eu devia cumprir o que estava escrito na Bíblia, quando o apóstolo Pedro determinou que aqueles que se arrependessem fossem batizados.
Assim, aos 18 anos de idade, fui batizado nas águas, em janeiro de 1986.
Interessante que, desde então, aprendi a olhar, acima de tudo, para a Bíblia e, juntando isso, ou seja, Bíblia e simplicidade, minha vida e de meus pais, irmãos, amigos, igreja, enfim, era uma vida feliz e promissora.
Mas, parece que sempre tinha alguém querendo roubar a minha alegria da simplicidade de ser crente. A cada ano, aparecia uma alma feliz da vida, dizendo-me que havia conhecido a verdadeira revelação. Começou com louvores, quando pessoas animadas diziam que Deus estava restaurando o louvor. Que hinários não eram certos mais. Isso foi anos 80/90. Depois vieram quebras de maldição, cura interior, conferências proféticas em Brasília e outras coisas que, quase sempre, eram trazidas dos Estados Unidos com tanto fervor, como se fosse a última revelação antes de Cristo voltar. Chegamos aos anos 2000. Veio o famigerado G12. Trazido da Colômbia, surrupiado do Opus Dei, entrou com tudo em nosso país.
O G12 foi interessante, pois homens com 50 anos de ministério descobriam a Bíblia somente nos encontros. Cada hora uma novidade. A onda e o fervor do G12 passou e, no caso do Apóstolo René Terra Nova, virou M12. Ah, sim, vieram os apóstolos. E quantos!
Passados quase 20 anos desde os anos 2000, vieram neo-pentecostais, vieram gente que não prega o arrebatamento, vieram os “pop-stars” do gospel (afff, desses, eu tenho nojo, de verdade), vieram pregadores contadores de contos, fábulas e piadas. Vieram os animadores de palco, psicólogos coletivos, terapeutas de casamentos, orientadores sexuais (quase sempre em segundo casamento), vieram os pregadores metrosexuais (basta olhar seus ternos e cabelos), enfim, minha alegria de ser crente parece que ficou nos anos 70/80. Olho para trás e vejo que não havia nada além de Bíblia, Bíblia, Bíblia e era uma igreja saudável, viva, que tinha ânimo para fazer as coisas.
Hoje, no BRASIL, você não encontra um PREGADOR (dos que são famosos) que TRAGA REVELAÇÕES PROFUNDAS DA PALAVRA. Você só assiste técnicas de marketing, administração, psicologia e outros conhecimentos do mundo adaptados a pregações. Que triste cenário! Alguns usam musiquinha de fundo para dar aspecto de certa reverência ou santidade ou sei lá o que, mas para nada serve. Não adianta nada repetir e repetir as mesmas coisas. Precisamos de "reveladores" da Palavra.
Resultado disso tudo: uma igreja ferida, triste, deprimida, sem Palavra de Verdade, uma igreja em busca de um sentido para servir a Deus. Pessoas que, dizendo-se cristãs, nunca mudaram suas vidas. Uma igreja consumista, materialista. Uma igreja que se envolveu com o mundo e com o pecado. Uma igreja que se vangloria de ser 40 milhões de pessoas no Brasil, mas que não conseguiu influenciar em nada, absolutamente nada na vida do país. Ao contrário, suas feridas se esparramam pela Nação dia após dia.
Quero minha alegria de ser crente de volta. Quero uma igreja que coma arroz e feijão e que bate em todo o inferno junto assim. Uma igreja sadia. Crentes sadios. Quero uma igreja que cante seus corinhos com verdadeira adoração e não com estrelismo, quero uma igreja que não ama o dinheiro e nem a aparência. Tragam-me minha igreja de volta.

Pr Aureo Ribeiro Vieira da Silva

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