domingo, 13 de outubro de 2013

Mantendo a chama acesa em nossas vidas


No livro de Levítico, no capítulo 6, versículos de 12 a 14, existe uma indicação de como Deus orientou a Moisés para que o altar permanecesse em fogo. Sim, no altar que havia dentro do tabernáculo, mais especificamente no pátio, o fogo devia queimar vinte e quatro horas, mas, para isso, alguns cuidados deviam ser obervados.
Observamos nos dias atuais que uma grande quantidade de cristãos sofre de momentos de paralisia espiritual. Em alguns momentos estão empolgados, em outros momentos estão desanimados, às vezes se motivam para ajudar em algum projeto da igreja, em outros momentos, estão cansados e até mesmo sem vontade de ir à igreja.
Esse comportamento, inclusive, tem ocorrido com muitas pessoas em suas vidas seculares, que vivem profundos momentos de tristeza, desânimo, chegando, em alguns casos, aos níveis da depressão.
O texto de Levítico, citado acima, pode nos trazer uma estratégia de conduta que nos leva a manter sempre acesa em nossos corações a fé no Senhor Jesus. Não quero apresentar isso como o único meio verdadeiro de se manter sempre aceso, mas com certeza é uma estratégia. Podem existir outras, mas aqui ensino uma que é eficaz. Juntando esse texto com Filipenses 4.4, que nos ensina a manter a alegria o tempo todo, poderemos superar essa vida de altos e baixos e mantermo-nos sempre em uma escalada de fé, subindo sempre e mantendo-nos firmes e com nossas chamas acesas.
Sobre o assunto de Levítico, o fogo devia queimar continuamente porque a qualquer hora que alguém fosse sacrificar ao Senhor, o altar devia se mostrar pronto para aquele ato, ou seja, queimando, pegando fogo. Imagine que você se aproxime de uma laranjeira, cheio de sede e vontade de pegar uma laranja, mas, ao chegar até ela, percebe que não há fruto. Em Mateus 21, nos versos 18 e 19, existe esta verdade bem clara. Jesus estava com fome e procurou figos em uma figueira. Não havia frutos nela. Somente folhas. Jesus a condenou naquela mesma hora e nunca mais nasceu fruto daquela árvore. Observe:
“E, de manhã, voltando para a cidade, teve fome; e, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ela, e não achou nela senão folhas. E disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente”.
Assim, o altar não podia ficar sem fogo. Não podia ficar um só instante sem estar pronto.
Um cristão não pode ficar um instante sem estar pronto a ser uma fonte de benção a uma pessoa que chegue até ele para ser alcançado por Deus. Alguém vem apanhar frutos em você, mas você, naquele momento de sua vida, não tem o que oferecer. Isso não deve ocorrer. Você deve ser como era o altar no tabernáculo de Moisés. Você deve queimar continuamente.
Na época que Deus estabeleceu o Tabernáculo de Moisés, era comum a prática das ofertas. Assim, um altar que queimasse dia e noite era imprescindível para que as ofertas fossem queimadas.
O texto em Levítico 6.12 a 14 diz: “O fogo que está sobre o altar, arderá nele, não se apagará; mas o sacerdote acenderá lenha nele cada manhã, e sobre ele porá em ordem o holocausto e sobre ele queimará a gordura das ofertas pacíficas. O fogo arderá continuamente sobre o altar; não se apagará.”
Veja que havia uma sequencia em relação às ordens dadas por Deus a Moisés quanto ao altar. Os procedimentos quando ao local onde estaria o fogo, o que ocorreria com o fogo, a ação do sacerdote, entre outras, eram ações que permitiam o  fogo queimar continuamente.
As ofertas faziam e fazem parte da relação homem-Deus. Desde aquela época até nossos dias, há uma grande questão a ser aprofundada quanto ao sentido espiritual das ofertas ao Senhor.
Caim e Abel ofereceram ao Senhor (Gn 4:3; 4:4). Oferecer holocaustos e ofertas pacíficas das ovelhas e dos bois com a promessa de bênçãos era uma prática do povo (Ex 20:24). Isso era ordem de Deus de como seriam feitas as ofertas.
Existia a oferta da ceifa e dos lagares (vinhais) e Deus pedia a consagração dos primogênitos (Êx 22:29). Havia a oferta alçada de todo homem cujo coração se movia voluntariamente (Ex 25:2; 35:5; 35:29; I Cr 29:5). Existiam ofertas de ouro, prata e bronze (Ex 25:3; 35:5).
Deus encarregou o sacerdote Arão de levar as iniquidades do povo perante ele em santa oferta para que eles fossem aceitos. (Ex 28:38).
O holocausto queimado sobre o altar era oferta com cheiro suave ao Senhor (Ex 29:18). Todos os que eram alistados ou recenseados davam oferta ao Senhor (Êx 30:14).
No livro de Levítico, Deus deu uma orientação a Moisés para os procedimentos atinentes a todo o tipo de oferta. Sobre a oferta do gado e das ovelhas (Lv 1:2, 3, 9, 10 e 13), das aves, como as rolas e os pombos (Lv 1:14 e 17), dos cereais (Lv 2:1-2: 2:4-15). O gado, por exemplo, devia ser oferecido em oferta sem defeito algum (Lv 3:1, 6).
Todas as ofertas eram bem discriminadas por Deus para que não houvesse dúvida da parte do povo. Era a oferta do cordeiro (Lv 3:7-11). A oferta da cabra (Lv 3:12-16). A oferta do novilho sem defeito para expiação do pecado do sacerdote (Lv 4:3, 8, 14, 20 e 21).
Se o pecado do sacerdote era notificado fazia a oferta de um bode sem defeito (Lv 4:23-26). Se o pecado do povo era notificado, a oferta seria uma cabra sem defeito (Lv 4:28-31). Nesse caso, se trouxessem uma cordeira como oferta pelo pecado, ela não deveria ter defeito (Lv 4:32-35).
É importante ressaltar que, se o altar não queimasse diuturnamente, toda essa liturgia de sacrifícios ficaria comprometida.
Então o fogo precisava permanecer aceso todo o tempo. Mas como se conseguia isso? Havia uma sequência de atividades que teriam como resultado o fogo contínuo. Existe, do mesmo modo, um segredo em nossa fé, para que nossa fé esteja continuamente com a chama acesa. Sim, existe. Vamos analisar o segredo e a palavra que o Senhor nos mostra no versículo 12 do capítulo 6 de Levítico.
“O fogo que está sobre o altar, arderá nele, não se apagará; mas o sacerdote acenderá lenha nele cada manhã, e sobre ele porá em ordem o holocausto e sobre ele queimará a gordura das ofertas pacíficas”.
Notam-se alguns pontos que eram condição “sine qua non” (sem a qual não), ou seja, pontos que deviam ser cumpridos para que o fogo queimasse. Caso um desses pontos ou etapa falhasse não haveria fogo no altar. Esses pontos eram os seguintes:
- sobre o altar;
- ardendo nele;
- não podia se apagar;
- o sacerdote acenderia a lenha toda manhã;
- colocação do holocausto (o que ia ser queimado) em ordem; e
- queimar ofertas pacíficas.
Vamos analisar um a um desses pontos.
     1 - Devemos estar no ALTAR – nosso altar é a CRUZ . Gálatas 6.14 – a cruz funciona como uma referência. Estar na CRUZ te mantém aceso. Ligado à cruz é estar ligado a Cristo, a igreja, aos irmãos, à comunidade. Você quer estar queimando todo o tempo? Esteja sobre a cruz. Não saia nunca da cruz. Se perderes a comunhão com sua igreja, certamente não terás capacidade de estar na cruz. A comunhão com o corpo nos possibilita estarmos sobre a cruz.
2 - O fogo deve arder – ou seja – fogo grande, bonito. Arder é ter ânimo. Ter ânimo é questão de atitude, não depende de Deus. João 16.33. Atitude faz parte de manter a chama acesa. Salomão aponta que aquele que se mostra fraco no dia da angústia terá poucas forças (Prov 24.10).
O salmista diz: ”fez arder um fogo dentro de mim” (Sl 39.3). Já em outra situação, o salmista nos mostra que o fogo de Deus é o zelo que o Senhor tem pelos seus (Sl 79.5).  Ser zeloso nos fala de atitudes ativas, agir, fazer. Implica em ter encargos no reino de Deus. Com encargos, tornamo-nos mais responsáveis. Se você tem alguma função no corpo de Cristo, isso te fará arder. O peso da obra nos torna pessoas mais responsáveis. Sendo um obreiro, um líder de jovens, um membro de coral ou equipe de louvor, enfim, trabalhando na casa de Deus teremos mais preocupação em ler a Bíblia, em orarmos, de modo que conseguiremos arder em nossas vidas.
3 - Não pode apagar  - Em Prov 26.20, verificamos que, sem lenha, o fogo se apaga. Em Ec 9.8, a Bíblia nos exorta a mantermos alvos nossos vestidos e nunca deixarmos faltar o óleo sobre nossa cabeça. Se a chama está baixando, coloque combustível. O combustível é a Palavra de Deus. Em Rm 12. 1 e 2, a Palavra de Deus nos exorta renovarmos nosso entendimento pela Palavra e não nos conformando com o presente mundo. Saia do sistema mundano, renove-se pela palavra. A tua força não pode ser pequena (Prov 24.10). Quem é fraco fica mais fraco. O fogo tem um sentido espiritual muito forte. Em Is 64.1 e 2, temos um texto que fala de atitudes passivas no sentido de resistência. Temos que resistir até o fim. “Não se apagar” fala de alguém que não se entrega. Seja na necessidade de manter uma atitude de fé até o fim (exemplo de Davi quando perdeu o filho que teve com Bate-Seba – II Sm 11), seja fugindo do pecado, seja em uma decepção, seja em um fracasso, etc..
4 - Tem que ter o sacerdote - cuidado com quem está apascentando sua vida. Em Jr 3.15 o Senhor prometeu enviar pastores que apascentariam com sabedoria e inteligência. Sem orientação e conselho do verdadeiro homem de Deus, a pessoa perece. O fogo se apaga. O desânimo chega. Em Mal 2.7, está claro que um sacerdote é mensageiro do Senhor. No livro escrito aos Hebreus, no capítulo 13, versos 7 e 17, o escritor nos manda obedecer aos pastores, olhar para a vida deles como referência e, ainda, afirma que eles são como aqueles que hão de dar conta das nossas vidas. Isso é muito sério. Tem muitos líderes que não foram ungidos por Deus e estão por aí forçando ser sacerdotes do Senhor. Quem não está bem apascentado tem tudo para esfriar na fé.
5 - A Casa deve estar em Ordem.  Leia a história de Ezequias em Is 38.1. Um rei que foi desafiado a colocar a sua casa em ordem. E a sua casa? Está em ordem. Se não estiver, não tenha dúvida: você vai apagar a chama da fé genuína em Cristo Jesus. Em Is 59.1, o profeta nos ensina que Deus não está afastado de nós porque deseja. Não. Assim acontece devido as nossas iniquidades, que fazem separação entre nós e nosso Deus. Coloque sua casa em ORDEM! Você certamente sabe o que precisa ser colocado em ordem. Faça isso hoje mesmo.
6 - Ofertas pacíficas -  por fim, as ofertas pacíficas representavam, como as ofertas de um modo geral, estar com consciência tranquila com Deus. Sempre. Oferta pacífica só acontece em nossas vidas se, de fato e verdade, fomos resgatados e justificados por Deus. Uma consciência sempre tranquila é meio caminho para se chegar diante do trono de Deus. Quem está assim está com fogo vivo em suas vidas. Quem tem riscos em sua consciência, tem grandes chances de sofrer em sua fé e cair dos fundamentos. Àqueles a quem isso acontece, muito provavelmente a chama irá se apagar. Com tudo em ordem o fogo não apaga. O desânimo não chega.
Finalmente, recapitulando a passagem de Romanos, umas das mais belas do evangelho da Salvação, eu fecho essa mensagem:
Romanos capítulo 5.1 e 2

TENDO sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.


Autor: Aureo R Vieira da Silva

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